Oração Praieira

 

A praia me chama com notas de ondas do mar. A areia me convida para abraço quente e sincero. O horizonte me convida a pousar o olhar em Deus. E quem disse que acreditou ou duvidou não sabe quem fui eu. Quem serei. O que nem sei decidir porque é cedo demais.

Precipitar sonhos é antecipar a morte. Quem desce da nave da ilusão vê a frágil casca do futebol, da cerveja e do papo furado. O oco casco dos pilares sociais. A recorrente hipocrisia dos categóricos catedráticos. A febre de poder de quem não deveria tanto desejar.

Esse ano vou pousar meus problemas no mar. E na frequência da água deixar ir e de branco repousar.

 

 

Ano Zero

 

Zera o ano absoluto

Pessoa absoluta

Na luta de viver

Zere o tempo que passou

Vento que soprou

Limpou e levou

Zeramos em branco

Desconectamos e voltamos

Seguimos e abraçamos

Um zero

Zero Sol Lua

Terra quente

Céu aberto

Zero faz rever nos olhos

Do hoje e construir

Florescer amanhã

Zero para amar crescer

Evoluir seguir na aventura

Aprender a perder

Um zero para fim

E sempre estar

Zero um recomeçar.

 

 

Golpe forte futuro em paz

Vejo o futuro pela janela ultra hd do apartamento. Não sobrevivo ao presente e me empurram os sonhos. Tenho amigo que constrói tudo no amor. Ele se preocupa sem razão com os dias bonitos que o aguardam.

A paz é recompensa de seguir vivendo bem. Repito apenas o que me recuso a duvidar.

E, na falta do que me preocupar, sigo ao lado desses dias curtos. Eu escrevi música, fiz texto e deitei o tempo em cama de acalmar, cercado de flores de camomila e erva doce gratidão.

Sinto que no próximo café vou aplacar vontades, que vou despejar meus meses a seguir no papel. Debruçado sobre minha própria cabeça em sobrevoo infinito por meu sétimo chakra. Eu, observador de meu próprio tempo.

Contemplativo distante me encontro nos anzóis dos abraços que distribuo e que me fisgam o plexo. Fica a secura da boca e mais um golpe no copo. Deito infinito.

Fogo. São fortes dias e virão outros.

Que nossos sonhos diferentes se encontrem faceiros e criativos.

Que nos acompanhe a centelha amarela sempre divina.

Que amizade a gente tem.

 

 

Vermelho Natal Pais e Paz

 

Natal paciência na família

Amor tem que bastar

Aquele que vem de dentro

Que explode em vermelho

No peito

Vindo da terra e do pé

Alaranja a vida

Da árvore que segue

Atenta apenas ao vento

Sem mal ou bem

Como a natureza quer

Deseja que renasça

A esperança

Branca em vida

Dessa união

Nem sempre tão fácil

De celebrar

De estar

E de ser

Quem a gente se tornou

Já faz tempo e esqueceu de mostrar

No presente basta a minha verdade

E aos meus pais

Aceitar

E espero calmo

Que caiba a eles também

A tarefa de se apaixonar

Não pelo quem já era ou fui

Mas pelo que sou

Prestes a me tornar.

 

 

Para ler em pé

 

Quando vi que você não estava, achei normal. Caminhei pelas ruas mesmo assim, numa boa solidão. A paz que me acompanhava chegava a me assustar de um jeito que eu poderia jurar que os outros percebiam.

Eu acendia um cigarro em puro sinal de desespero, disfarçando as vontades que sentia. E logo você estava lá ainda que não estivesse.

É esse final de ano. É disso a culpa. É minha a culpa assim como é do tempo e dos corpos são as vontades.

Você quer a verdade, nossa verdade, uma verdade para seguir sorrindo. Sempre percebi na sua repetição das palavras a renúncia. E agora tudo faz sentido.

Eu e meu olhar fixo no paralelepípedo enquanto a fumaça se esvai pelos meus dedos. Resta a cinza do tabaco. Há também o cheiro forte de fumo e a realidade.

 

 

 

Give love a chance

 

Havia uma lembrança em algum lugar no tempo. Era sempre. Onde as estrelas estão distantes umas das outras. Não há nada que não se equilibre em oposto. O céu ficou azul e calmo depois de alguns pares de bilhões de anos.

Em uma cidade em paz, num deserto de amor de ascendência, nasce e vive. Suas tarefas são simples. Cumprir os deveres dos dias. Vencer a rotina. Entorpecer o tédio. O vazio coloca no bolso. Com um guardanapo do último bar.

O perfume dos últimos movimentos do cabelo dela não saíram mais de sua cabeça. Foi uma lembrança que desfez fagulha e rompeu a superfície dos planos universais. E assim tudo recomeçou em uma chance de se apaixonar.

 

 

O naufrágio do navio português

 

Suavemente as paixões da vida nos entortam os dias. Deitam desejosas em nossos corpos com fumaça, sabor e saliva.

Do peito desnudo crescem razões para buscar prazer. No feixe de luz ao olhar. Na descarga elétrica da pele ao cérebro no toque. O que se vive verdadeiro se esquece em segundo de estar presente.

Lembrar é pedir demais ao tempo. É rogar no escuro que as velas da catedral vazia se acendam. Dobram os sinos do tempo e nos perdemos em pernas e lençóis exaustos de nós dois.

Somos resultado de mistura de histórias na velocidade da consciência que nos restou. E no fundo da profunda construção do planeta reside enterrado o encontro de nossos olhares. O beijo escrito submerso na distância que nos cerca.

 

 

Ela venta Eu invento

 

Abri a janela

E o vento parado

Encostado num canto

Distante

Com você

E

naquele dia

não ventou

mais

não inventei

mais

de querer

primeiro

Até porque

Querer primeiro

É

segundo o desejo

Aposta

Com chance de perder

Mas o vencer faz desmanchar

Destino em beijo

De olhar

De nada

Janela aberta

Por esperar.

 

 

 

Obs.: Agora leia de baixo para cima. =D

 

 

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