Perdão sim ou não

Sou um monstro
Lido com muitos bichos
Estranhos

Minha dor não consiste
Coexiste e existe
Em intensa explosão

Perdoa, digo a quem
Não aceita
Pois amigo só
Vê luz que vem

Filosofias baratas perturbam meu pecado

Pecador
Pobre
Remido
Intenso
Insistente
Arrependido
Perturba o pires filosofal
Diante da rejeição gestual
E da brutal ignorância
Perfumada em dinheiro
O sujeito isola-se no infinito
Sente o abraço da centelha
E apenas deseja morrer para não voltar
Não
Não há volta agora
A não ser na semana que vem
Ao passo que falhem os sinos
Que os vôos não decolem
Até lá segue com mais uma página rasgada
Que o carrega longe deste plano geral das coisas
Ele apenas deseja permanecer
No abraço misterioso
Que recebeu com nome próprio
E que o encorajou a continuar viver
Ainda que diante do pecado
Não há traço parado agora
A profusão do movimento
Carrega os acontecimentos que rodeiam as coisas
Nunca foram os pés nas alturas
Nunca foram as chegadas
Foram as águias que caçaram cobras demais
As serpentes foram esquecidas no canto da cidade
Para transeuntes e passageiros de ônibus
No mundo que ele não quer mais fazer parte
Quem pega táxi e faz festa em barco
Pode lembrar errado
Porque não tem pecado
Isso aí
Tudo errado.

Veio viu e ficou

Tenho um amigo
Que agora mora
Na praia dele
Busca canto definitivo
Como se o infinitivo
Fizesse alguma
Diferença ao gesto

Ele sempre foi
Ao sabor das ondas
Sempre será
O que se decide
Na hora
Do agora

Ele é meu amigo
Simples gesto
Sempre perto
Do campo das ondas
Que batem solitárias
Nas vontades
Que temos
Ao viver.

Mulher Capitu

Ao silêncio
Ela entrega suas melhores
Orações
Seus pedidos
Seus sonhos
Desejados
Buscados
Ela se cala
Escala
A montanha
Dolorosa
Do livrai-nos do mal
Mas que bem faz
Ser meio metade
Ela se questiona
Nessa hora
A essa altura
Percebe que nem o cabelo ajuda
Que o mundo não é fácil de viver
Que o povo conserva conceitos
Gerados por mães de outras realidades
Girados e misturados em circunstâncias
Hiperreais
Paralelamente
Ela marca uma mecha e fios
Ela só se sente plena
Quando percebe
Contemplativamente
Não haverá
Solução.

Vai Saber

Vermelho veste
Chega envolto
Vestido
Sorriso inteiro
Pronto
Sereno
Com muito por dizer
Ser ouvida é prazer
Entregue e proporcionado
Encanto
Registrado
Nas cadeiras do lugar
Nas suas marcas de batom
Pelo copo
Pelo corpo
Deitado em culpa
Sem planejar
Antever
Afinal
Querer
Era para ser
Simples
Viver
Acorda
Tem beijo no rosto
Carinho
Café
E a estrada
A sua
E a minha
Jornada
Do gesto
Do nosso jeito
Amar
Foi escrito
Quase nada.

Lábio desejo beijo

Você entrou na minha casa sem convite

Não tem problema

Sempre foi

seu jeito

Sem jeito quando confortável

Que me despertou sentir

Nosso primeiro beijo foi acontecendo

Com espaço preciso

Logo trouxe com o tempo

Mãos

Toque

Pele

O abraço aproxima e eletriza

Traz à linha dos acontecimentos um novo tipo de desejo

Desconhecido

Muito se pensou sem chegarmos perto

Agora perto

A pele aquece

Sinto seu cheiro

Sinto pelos e cabelos

E nos enrolamos um no outro num tipo de ato raro

Incompreensível para fora do meu apartamento

E o mundo por instantes intercalados com prazeres de parto

Um grave gemido de prazer

Sua voz vira a minha

Ou ao contrário

Lábios encostam

Ainda secos

Molham

Línguas sem freios viram puro desejo

Um só desejo

Esse desejo raro

E os corpos perdidos

Se entregam

Mãos

Coxas

Costas

Pescoço

Cabelo

E lábios

Sorriso escondido no peito aberto

Pele por pele

Pedido

Prece

Padecemos ao permitir

Lábios

Espaço infinito em instante

Uma sentença ao corpo

Que adoece distante

E logo

Línguas se libertam

Nossos lábios

Voltam

Encostam

Selam

E

No encontro da busca

Calor e promessas

Do que não conhecemos

São os corpos

Há pouco certos

Perdidos na volta

Ao mundo

Há dúvida?

Silêncio Sagrado

Em meio
Em tanta
Luz

Fumaça
E devaneio
Ágil
Pensamento
Exilado
Da
Consciência
Este
Perigo
Esconde
Passado
Beijo
Cama
E
Presença

Mas falta se
Mas falta sim
E
No seu
Tudo bem
Minha
Resposta
Automática
Meu bem
Sai
Rasgando
De mim

E no aguardo
E no preparo
Do futuro
Cuidado
Carinho
Somos todos
Feitos
Do que machuca
Mas
Não se preocupa
que
sempre
Transformamos
mentira que sangra
Em
Sagrado
É o começo do silêncio
E o fim do pecado.

Falta explicação

Chama
Atenção
Da criança
Que passeia
Pelas ruas
Mãos dadas
A pais
Olha um
Índio
Mãe
Como assim
Pergunta
Fica pasma
Pálida
De excitação
Com o encontro
Inusitado
Do que
Um dia deveria
Ter sido
Paz
Normal
Amor
Mas
Passado
Manchado
Fica
Fechado
Enterrado
Em
Falta
De
Explicação.

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