Ruas, Esquinas e Portas

Há uma esquina
Em cada porta da minha vida
Feita de chão de calçamento
Continuação da rua
Me cobrando decisão
A ser tomada

Que beleza se toda rua
Fosse esquina
Mundo de opções
Mas
Aqui
Em minha frente
Já não se abrem mais portas
Sem antes perguntar.

A nômade

Diante de suas ideias sinceras, ela misturou o emocional ao papel em desabafo de discurso. Pode ter virado pintura, texto ou peça. Ela mudava como água. E assim transpirou quando decidiu se mudar daquela cidade:

“A gente perdeu as coisas prazerosas de sermos tão diferentes: a curiosidade em descobrir mais sobre as coisas do outro. Acho que descobrimos rápido demais e bastou. Assusta conhecer os monstros pelo nome e ter conhecimento pleno das fragilidades tão rápido. É perigoso se entregar em um mundo que flui em adoração à mudança. Não há o que reclamar. Apenas acontece com tudo que se sente aprisionado, eu ou você.”

Levante seu pé para eu passar

Existir consiste em abrir a casa

Abrir as portas, panelas e asas

Para o que está ainda por chegar

Chega flutuando

Às margens do pensamento

Se não fluir do jeito

Que cabe no seu entendimento

Perdoa

O andante procura o passo

A palavra certa na conversa

E ele só insiste

na medida em que é tocado.

Há tempo para mais

Que meu abraço

Acalme seu coração

Que ele encontre a proteção

Que sente precisar para seguir

Somos todos feitos iguais

A partir do mesmo algo maior

Indescritível

Impossível de encaixar nas línguas

Somos passíveis ao erro

Sujeitos ao apego

E alcançados pelo carma

Somos uma sequência de fatos passados

Derramados sobre a linha do tempo

Misturados com desejos e sonhos

Tão difíceis de separar

É a medida da culpa

É o que somos

Razão de viver invisível ao olhar.

Comportamento de Onda

Brilho de estrela

Escondido nos quarks

Da faísca do cigarro

Meu universo

Gira em torno

Do sentido que se atribui

Às coisas que cegam nosso olhar

E atravessando a fumaça

Descortinamos a fresta

Na fenestra:

O cosmos em detalhes

A pulsar.

 

Cidade que resiste

Um carro depois do outro

Sua rotina recomeça

Segunda à sexta

Frenética

Imparável cidade

Que cresce

Pulsa

E expulsa quem não age

De acordo

Que insiste

Em se reinventar

Na primeira

Hora da manhã

Arte se tornar

O mundo em criatividade

Palavra inominável

Ao conservador

Subversiva por origem

Por promessa

Crescente

Revolução.

Gravitacional

O ego é a parede

Divisória

Limítrofe

Das conexões

Das suas ações

Com o Universo

E a humildade

É sentir no osso

A dor do outro

Aprender é se descolar

Do planeta e permanecer

Contida em contemplação

Que não possui

Pois existir é fantasia.

Flor do Destino

Nasci contracorrente

Pra não ser aprisionado

Não sabia quem era

Até dar tudo errado

 

Hoje reduzido

Ao mínimo necessário

Sou mais simples

Que sonhei

E me alivia o peito

Aprender a viver

 

E já não remo tanto

Deixo a gravidade

O equilíbrio do todo

Buscar sua parte

E minha vida

Vai se completando

Pétala a pétala

Depois

Do cotilédone

Crescer.

Categorias