Prefácio do Livro Novo

Confiram uma partezinha do que está por vir no lançamento do meu terceiro livro.
É o prefácio escrito com amor de pai para filho pelo meu grande amigo e mestre, Luiz Afonso, o LA. É um privilégio enorme uma amizade como esta e um texto que fala tanto de mim com olhar tão preciso e com tanto carinho.
Aproveitem para confirmar presença no evento deste sábado no Bar do Carioca, às 15h. Cervejinha e Bolo de cenoura com chocolate. Lançamento do Terceiro Livro e Aniversário do Belão.

 

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Foto: LA e Felipe Belão

LA e Felipe Belão

O menino homem

À medida que o tempo passa as experiências vividas vão transformando as pessoas, suscitando em suas mentes, de forma indelével, questões que põem em cheque seus valores, mas que para o verdadeiramente sábio, vão transformando-o, transmutando a sua essência em algo de maior valor, pela exposição clara e límpida de sua alma alvejada pela consciência do Ser.

Assim, jamais conseguiria expressar, por meio de minhas ideias, a intensidade do Ser que reside em Felipe Belão. Afinal, aquilo que percebo é apenas e tão somente parte do que reside em sua mente fértil, em sua alma densa. Mas muito me orgulha, mesmo que apenas como reflexo de uma imagem já existente e perfeita, resultado de sua intensa busca da figura paterna ideal, fazer parte de seu universo onírico, contribuindo, mais como testemunha do que como agente propulsor, de sua verdadeira vocação: a busca por si mesmo.

            Belão é daquelas pessoas que de longe transcendem a normalidade do cotidiano e que de forma diligente e permanente questionam seu lugar no mundo, tocando num frenesi que não se acompanha facilmente, o universo visível e o invisível. Dotado de rara sensibilidade, consegue transformar sua vasta e precoce intelectualidade e sua ansiedade existencial em deleite literário, ao mesmo tempo em que expõe suas mazelas, suas buscas, seu compromisso com as coisas sonhadas e ainda não encontradas.

            Nesta sua obra, percebe-se a revelação do momento em que o menino se faz homem, diante da perda da figura do avô, até então seu porto seguro e referência de certeza e segurança para questões típicas da fase pueril que animam aqueles que, por sua tenra idade, demandam respostas definitivas, infinitas.

            Decisões relativas a sua vida profissional, que para muitos revelam-se banais, tornam-se exemplo da intensidade de sua vivência, expondo sua firme decisão de colocar acima de tudo, mesmo do conforto de um sonho profissional tangível, a sua inequívoca busca por seu lugar no seu próprio tempo, revelando-o uma pessoa muito mais Kairos do que Cronos.

            Mesmo vivendo no centro de um verdadeiro tsunami existencial, recheado de questões existenciais, sua capacidade de amar é revelada na obra como um destacado vagalhão neste turbilhão de dúvidas, colocando-o sempre e de forma inequívoca, num lugar destacado no coração daqueles que tem ou tiveram o privilégio de privar de seu amor e sua amizade.

            Demonstra, ainda, com sinceridade irreparável, reconciliar-se com seus fantasmas do passado, aparentemente de forma egoísta, com a intenção de trazê-los a uma zona de conforto do que no sentido do perdão verdadeiro. Ilude-se quem assim pensa, pois em sua ética inabalável, sinceramente quer purificar-se de todo o sofrimento que a vida lhe imputou, já que se apronta para um novo porvir.

            Tanto assim é que, ao final, revela-se. Para o incauto, o óbvio: Tito é, na verdade o próprio Belão. Sim, mas num sentido muitíssimo mais amplo. Belão renasce, livre de máscaras e da necessidade de travestir-se em personagem, assumindo, literária e fisicamente sua verdadeira identidade, de menino-homem que fez a opção da busca pela felicidade, assumindo a máxima de Drummond: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

Luiz Afonso Caprilhone Erbano

26 de março de 2014.

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