O naufrágio do navio português

 

Suavemente as paixões da vida nos entortam os dias. Deitam desejosas em nossos corpos com fumaça, sabor e saliva.

Do peito desnudo crescem razões para buscar prazer. No feixe de luz ao olhar. Na descarga elétrica da pele ao cérebro no toque. O que se vive verdadeiro se esquece em segundo de estar presente.

Lembrar é pedir demais ao tempo. É rogar no escuro que as velas da catedral vazia se acendam. Dobram os sinos do tempo e nos perdemos em pernas e lençóis exaustos de nós dois.

Somos resultado de mistura de histórias na velocidade da consciência que nos restou. E no fundo da profunda construção do planeta reside enterrado o encontro de nossos olhares. O beijo escrito submerso na distância que nos cerca.

 

 

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