O dia em que ela perdeu o sapato na trilha de Jeep

 

História que se começa com o pé no barro. Ela, sapato e pé no barro.

Resmungando uma música dentro de um carro sujo de barro de trilha. Árvores desfilam ferozes pela janela turva. Pneu fura. Gente desce.

Ela desce linda.

Mostra que pode e afunda o sapato que nem de tanto salto era.

Perde deselegante o controle de uma perna, equilibra na outra. Imagina o som de um trompete. Pessoas olham preocupadas, ela retirar com classe de salto em ar leve os sapatos deliberadamente.

Uma ninja de pé na terra.

Logo depois refeita em outra, ainda mais forte.

Ela trocava roda, pneu e mexia no motor a hora que fosse. Graxa como uma pintura de guerra melhor ao refogar com aquela lama de poça e engrenagem afundada.

Em ajuda, segue no trabalho de levantar o corpo. Levar para cima do mundo e respirar o que sobrou da borracha soterrada. Há perfume confuso de vida-mangue e mato no lodo novo.

Ela se apaixona por viver naquela hora. Bem ali, diante da força que o corpo que lhe cabia exercia em músculos dos quais se sentia responsável e merecedora.

Vencedora da Natureza Ex Machina. Ela volta com a roupa em nova pele cor terra de pé na estrada não importa qual.

 

 

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