Eu acredito no direito que todo mundo tem de se sentir perdido

Paixões sangram e amizades podem ser cortadas, mas amores foram feitos para pulsar. Impressiona-me a superficialidade com que construímos nossos laços. Da profundidade do pires, nossos vínculos são desfeitos feito papel é rasgado. Então, fica o vazio inevitável. O inevitável vazio de nosso tempo depressa demais.

Como esperar por amor num tempo desses? É como acreditar que existe certo sem nem ao menos percebemos nossos erros. Somos resultado de um profundo egoísmo enraizado da culpa em satisfazer o ego. Assim, fazemos de conta que não queremos tudo, como se colocar em palavras é que fosse revelar a face do egocentrismo. Ou pior como se o ego fosse as culpas dos problemas da humanidade. Por que não vivenciar as sensações prazer e paixões com suas dores intensas e agudas? Agudez de alma, picada de caminhão.

Por que nos negligenciar o aprendizado por meio do tesão de viver o eu? E porque praticar o mal ao tu, ele, nós, vós e eles? Por que o mal afinal das contas? Eu enxergo que todos meus diálogos interiores são de mim para mim mesmo. Pode-se então taxar pejorativamente de ego, o silêncio da reflexão ou a beleza que se torna tão intensa aos seus olhos que fica impossível de compartilhar? Por que o eu não pode ser o simples ser, ser simples?

Diante de tantas perguntas mal respondidas, confundimos o eu com culpa, o tesão com pecado. E assim desvencilhamos o prazer da santidade. Que baita confusão é viver. É por essas e por outras que tem dias que continuar a acreditar no amor é difícil.

Você acorda e pá: o aperto no peito está lá. Resultado de algo que você fez ou, e mais comumente, deixou de fazer e a tal da angústia aparece para surpreender. É tipo sentir aquela fome por algo diferente que não se sabe o que é. Mas, na verdade, é um aperto diferente no peito, o famoso aperto de angústia. É seu e só seu, mas como é dor, as “regras” dizem que nesse caso pode se sentir egocêntrico. Tem que lidar sozinho com a insustentável leveza de si mesmo. Resolva. “Se vire!” A angústia é só sua. Quem vive o eu aprende a amar.

Numa hora dessas, num dia desses, ninguém fala de forma coerente sobre o direito que todo mundo tem de se sentir perdido. A sociedade cobra tanto que a gente se encontre. Ou encontre alguma coisa. Ou pior: encontre alguém. Mas tem dias que o melhor mesmo é encontrar o caminho de casa.

Minha vó dizia que era fome. Um tio meio boca solta dizia que era peido atravessado. Eu prefiro não opinar, vou dormir sozinho. Deu minha hora. Anoitece forte. Madrugada me abraça. Silêncio em minha alma, só minha. Amanhã tem sol e eu sei que acordo com esperança no amor.

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