Ele amava em primeira pessoa

Atenção, Mulheres, os homens demoram para aprender a amar!

Nossa natureza de desejo insaciável, somada à forma como a sociedade nos obriga a esconder o que sentimos para sermos mais “machos”, complica tudo.

Passamos anos amando vocês em primeira pessoa do singular. E nessa do “eu amo” deixamos os detalhes passarem desapercebidos. Erramos feio, erramos rude mesmo! Trocamos o qualitativo pelo quantitativo e aproveitamos o embalo da efemeridade do mundo digital para tornar nossos relacionamentos ainda mais curtos e superficiais.

Sim, isso é um desabafo de alguém meio que exausto disso tudo. Em tempos de grupos do Whatsapp mais vale um print de tela, um vídeo ou uma foto para que o “eu” se ame ainda mais em primeira pessoa. É a eterna adolescência do creme anti-acne.

Tolos que somos, pouco pensamos no amanhã e, dia após dia, acreditamos que hoje será uma e no futuro outra. Sonhamos com várias e não nos concentramos em nada ou ninguém. E, aos poucos, perdemos a fé no amor – único e verdadeiro sentido de existir. Por que será?!

Se vem alguém e faz poesia sobre a beleza da mulher, tiramos sarro. Se vem alguém e fala de amor e paixão zoamos eternamente. Chamamos de gay, como se homossexualismo fosse defeito. Fomos programados pelo estilo de vida enlatado a pensar dentro da caixinha machista do estereótipo do homem insensível e bruto.

Se um amigo abre a porta do carro para a namorada, vira motivo de chacota. Ninguém pára e pensa que se pode encontrar prazer em agradar, ser gentil com quem se gosta. Se manda flores é antigo e ultrapassado. Se escreve cartas é analógico demais. Tudo isso porque demoramos para perceber o perfume da rosa, a importância dos gestos e o valor das boas palavras.

Porém, não percam a fé. Temos conserto. E qual seria a solução milagrosa para nossa primeira-pessoalidade ao amar? A resposta é simples: o mistério que vocês encerram simplesmente por serem mulheres.

Se soubessem o poder de encantamento que exercem na sutileza de sua feminilidade, entenderiam que nascemos para admirá-las. Alguns de nós, os incautos e desatentos, ainda não perceberam apenas. Leva tempo, requer tropeços.

E, de uma hora para outra, quando estamos mais do que perdidos e submersos nesse oceano da superficialidade, vocês aparecem e nos escolhem resgatar. Escolha, essa é a palavra. Nós que nos achamos protagonistas somos meros coadjuvantes do início da relação. Acreditamos piamente que estamos lá para conquistar sem nem saber que vocês nos escolheram muito antes. Lá do outro lado do bar, vocês já olharam, avaliaram, conversaram com a melhor amiga e tudo mais. Assim, quando chegamos perto, vocês nos fazem o favor de deixar acharmos que o mérito é todo nosso. Nós os “conquistadores” ou “pegadores”.

Tudo isso porque demora para o adolescente dar lugar ao homem. Cada um tem seu tempo. Uns levam vidas. Outros simplesmente acordam dispostos a serem mais sensíveis. Felizes os que mudam e aprendem a ser amados. Entendem finalmente que bonito mesmo é amar em primeira pessoa… do plural: Nós amamos.

 

 

 

 

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