A frágil exposição de servir

 

Quando se passa com o pé pelo caminho, certas paixões despertam. Das paixões, seus pés o conduzem ao desejo. Desejo de realizar, de se tornar o que sonhou. E o pé pisa mais forte e determinado. Do prazer e da auto-realização do eu, surgem fortes trampolins de gestos grandiosos. Porém, sua arte existia e existe apenas nas pessoas. Nas paixões que despertam nas pessoas. Foge do eu apenas. Vira o outro na forma de parágrafos.

Nos capítulos escritos, vividos ou apagados, resta a marca da tinta, grafite ou borracha. Somos as cores e formas em movimento sendo escritas e desenhadas em decisões tomadas não apenas com a razão. O mundo justo se torna injusto em um espirro, pois o universo é inconstante demais. Até mesmo para as regras.

Logo, sua arte está esparramada nas mentes e sentidos das pessoas. Correndo para os becos e montanhas. Seu pensamento não é o julgamento do outro. Seu ofício passou do ourives perfeccionista para si, que se fecha mais de cem anos em solidão, para o dever de servir. Atento está para o sentimento que circula no mundo, pois sua arte não vai mudá-lo. Porém, pode antecipar seu movimento. Uma vez que ela é resultado da mistura de sua paixão do eu, com o profano da ignorância bem intencionada hedonista e o supremo ato desapegado de fruto.

Exaurido de pensar, só é verdade quando estanca a reflexão e sente. Percebe sua consonância com o mundo, a natureza, os passos e o sentido das coisas. Nessa tranquilidade praticamente espiritual, praticamente energética, surge sua obra em meio a dores de parto. Artista não existe mais, pois morre toda vez. Da frágil exposição, nascem palavras navegando ao sabor das pessoas.

 

 

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